quarta-feira, 1 de setembro de 2010

CORONELISMO DEMOCRÁTICO

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por muito tempo... muito tempo? Talvez nem tanto. Se compararmos a idade política dos nossos ancestrais do velho mundo, ainda temos cheiro de talco. Então, no tempo que foi possível se fazer política por aqui, o principal pensamento que norteou a manutenção do poder foi a não educação. Os currais eleitorais eram mantidos através de compadrismos, fidelidade e farinha de mandioca. Numa visão mais moderna e mais comum aqui pro sul, vamos encontrar esse gado votante vendendo o pouco que têm (leiam, a pouca escola que têm) por uma carradinha de barro, uma carona de ambulância pro hospital da cidade vizinha, uma caixinha de amoxacilina. Coisas assim que viram votos. E isso aqui no sul, que alguns dizem ser o primeiro mundo no Brasil. Piada. A baixa escolaridade, ou mesmo a má qualidade da escolaridade, que até hoje não foi suficiente para formar cidadãos, motivada pelo desinteresse do poder em gerar educação e cidadania, virou feitiço que enfeitiçou o feiticeiro.

Em hipótese alguma estou tentando profanar a imagem do Lula como governante, longe disso. Tampouco acusar seu governo de qualquer falha pelo fato dele ter ficado pouco nos bancos escolares. Creio mesmo que esse perfil mostra a grandeza do brasileiro. Ainda abusando daquele velho mantra do “não desiste nunca”, vamos ver que o Lula nunca desistiu. Mas o que está acontecendo hoje como fator preponderante para a manutenção do poder é um coronelismo mais democrático, baseado na identificação (e alimentado pelo bolsa família, é claro). A massa popular brasileira se identifica com o corintiano Lula, que fala atrapalhado, comete erros de concordância e solta algumas besteiras. Ele é dos nossos! E carrega uma votação espantosa com isso. Essa igualdade, essa identificação, sepultou com facilidade e velocidade uma avalanche de tropeços e escândalos. Alguns podem até dizer que isso se deve aos números positivos da economia da era Lula. Nada disso. O voto é pouco influenciado por números e estatísticas, infelizmente. Ao menos por números do governo, porque os números das pesquisas eleitorais ainda continuam influenciando bem mais do que deveria.

Quem manteve o povo sem educação está pagando o preço de ver esse povo identificado com um governante carismático (alguém ousa dizer que ele não é?) e que também não teve acesso à educação. Que faz parte do seu meio cultural. Antes que os petistas com cacoetes xiitas venham jogar pedras intelectuais, quero lembrar que estou falando em massa popular votante. Leiam bem, quantidade de votos. Entendido?

A discussão num nível mais elevado antes de uma votação só vai acontecer quando tivermos acesso fácil à educação de qualidade. Educação de qualidade vai levar a melhoria da cidadania (leia-se aplicação dos impostos em saúde, transporte, segurança... escola) e, obviamente, uma outra identificação cultural, sem coronelismo democrático, ou coronelismo puro das antigas mesmo. Sem ver o povo votando como se fosse um big brother, ou esperando o resultado da eleição como quem espera os números da mega sena.

10 comentários:

Romacof disse...

Depois das eleições você vai perguntar para alguém uma frase que ficou da campanha atual, e esta pessoa vai dizer: "Titica por titica vote em Tiririca, ou era algo parecido." Esta é a síntese marqueteira. A merda sempre boia.

Outra síntese: Luiz Piva (PSOL-PR) como candidato à Senador propõe o fechamento do Senado. Máquina muito cara e pouco produtiva (3 bilhões ao ano). O parlamento unicameral é suficiente. Inclusive já desvia o suficiente. Mas Luiz Piva (se é sincero) se afogará entre o que boia por lá.

Para educar o povo é necessário que o povo leia ou escute, ou que aprenda a ler ou escutar. E isto vai demorar.

mauro camargo disse...

amém...
por isso acho que precisa começar de pequeno. Vai tempo mesmo.

Anônimo disse...

Me diga quem quer um povo que conhece seus direitos?

Todos querem um povo pra lá de burro,rs.

mauro camargo disse...

sabe anônimo, o problema é achar que o povo chegou ao poder...

Romacof disse...

Era uma vez um cara que vivia preso. Um dia vários homens muito bons tiraram o cara da cadeia. Deram uma corda bem comprida de presente pro cara e ele podia ir aonde quisesse, contando que nunca largasse a corda. Então uma ponta da corda ficava amarrada na porta da antiga cela e a outra ponta na mão do cara que foi libertado. Se o cara soltasse a ponta QUE ELE TINHA O DIREITO DE SEGURAR ele pagaria uma multa, não poderia se inscrever em concurso público, obter passaporte ou carteira de identidade, renovar matrícula em estabelecimentos de ensino oficial, obter empréstimos em estabelecimentos de crédito mantidos pelo governo, e participar de concorrências. Nas letrinhas miúdas do contrato de libertação haviam outras coisas, mas isto só os homens bons conseguiam ler.

Romacof disse...

Em tempo: obrigado pela visita ao Flickr e pelas palavras elogiosas.

mauro camargo disse...

elogios a quem merece...
quanto ao voto, tenho que pesquisar, mas parece que andou sendo um votado um projeto que, em outras palavras, tornava-o não mais obrigatório... preciso pesquisar, quem sabe dê pra largar a corda...

Arthur Golgo Lucas disse...

100% off topic:

Acabo de assistir "Nosso Lar".

mauro camargo disse...

ok, já vesti a armadura... pode disparar...

Romacof disse...

Não liga! É complexo de troll! No fundo ele é um cara legal.